Madeira na construção

Aproveitamento e reaproveitamento

A construção civil é uma das grandes indústrias em nosso país, movimentando um enorme número de outros setores consigo todos os anos.

O Brasil, de acordo com o PNAD 2015, já tem pouco mais de 80% (160 milhões de pessoas; pop. total: 204 milhões) da sua população vivendo em áreas urbanas, um crescimento proporcional significativo frente aos 55% (52 milhões de pessoas; pop. total da época: 95 milhões) observados em 1970 (fonte dos dados: Banco Mundial).

Todo esse crescimento urbano demandou muitas e muitas obras nos últimos 50 anos, e, como a linha do gráfico não tem dado sinais de queda, também teremos esta alta demanda por mais algum tempo no futuro.

Histórico da população de Brasil, EUA e Argentina.

Todas estas obras têm dois grandes efeitos colaterais: o alto consumo de recursos naturais e o manejo indevido de tudo o que é descartado.

O que é descartado em uma obra?

A Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon) estima que são produzidos 520 kg de resíduo por habitante por dia – valor que bate com o índice do Ministério do Meio Ambiente. Porém, das cerca de 290,5 toneladas de entulho geradas diariamente no país, apenas 21% é reciclado; o ideal, condizente com a reciclabilidade dos materiais usados, seria de 98%.

São restos de tijolo, cimento, gesso, PVC, fiação elétrica, cerâmica e madeira, etc. Devido à variedade de resíduos sólidos provenientes do processo da construção civil, eles são classificados de acordo com as características ou propriedades identificadas.

Madeira é Reciclável?

Mesmo sendo um material orgânico, a madeira é cem por cento reciclável, seja por tecnologias ou aproveitamento para a composição de outros produtos, pois a madeira após triturada pode ter outras formas e diferentes resistências, voltando a ser tapumes, caixas de madeira ou mesmo ser utilizada na indústria da celulose, dependendo de que segmento industrial encontra-se perto da fonte geradora do resíduo.

Uso da madeira nas construções brasileiras

O madeiramento utilizado na construção civil pode ser dividido em: 

  • Construção pesada externa: madeira serrada, estacas, tábuas, pontes, torres de observação, etc., tendo como referência de madeira o angico-preto, pinus, melancieiro, pequiarana e cedro rosa. 
  • Construção civil pesada interna como: vigas, caibros, pranchas para cobertura, etc., tendo como referência a madeira de peroba-rosa e angelim vermelho.
  • Construção civil leve interna como: madeira serrada beneficiada em forros, lambris e guarnições, tendo como referência de madeira o ipê. 
  • Construção civil leve como: portas, venezianas e caixilhos, tendo como referência a madeira de pinho-do-paraná, entre outras espécies. Existe uma variabilidade grande de preferência em obras civis, podendo variar as espécies de acordo com a região do Brasil devido à disponibilidade da espécie e consequentemente dos seus valores para aquisição.

Após o término da obra, é normal muitos retalhos ou até tábuas inteiras já não servirem mais, pois acabaram entortando ou mostram muitos resíduos de concreto na superfície.

O ideal é que a empresa preserve a madeira para que ela seja utilizada em outras obras. Tal prática é mais observada na questão dos tapumes e tábuas que não ficam em contato direto com o concreto.

Quando não é possível reutilizar o material no próprio processo da empresa, o ideal é o encaminhamento a um centro de reciclagem.

Se a madeira for corretamente separada dos demais materiais, em quase 100% dos casos é possível utilizar o resíduo em algum processo produtivo. 

Possibilidades de reciclagem e reuso da madeira

Se a madeira estiver disposta em grandes pedaços, pode-se encontrar empresas que separam ripas para a fabricação de outros artefatos como caixotes, pallets ou suportes para fins diversos.

Outra utilização da madeira, a mais comum atualmente, é a disposição em centros de trituração que fazem a moagem completa do material. O pó pode ser levado até fabricantes de módulos de MDF, chapa que tem alto valor agregado na indústria moveleira.

Caso não seja possível aplicar nenhum dos processos anteriores, os resíduos de madeira da construção civil ainda podem ser empregados como biomassa para ser queimada em fornos industriais.

Para a utilização desta biomassa é necessário considerar as características físicas e químicas do material que podem influenciar no rendimento e manutenção dos equipamentos que realizam o processo de combustão; os componentes químicos da madeira podem variar consideravelmente em diferentes espécies e isso vai afetar grandemente a utilização do recurso. 

A determinação das propriedades químicas, tais como teor de lignina e valor de aquecimento são importantes e geralmente, estas características são determinadas utilizando métodos químicos de laboratório, mas estes são normalmente demorados, dispendiosos, e não ideais para lidar com grandes quantidades de amostras de madeira.

Por conta desses custos envolvidos no processamento dos resíduos da construção civil,  cabe ao setor público, como agente regulador e promotor de desenvolvimento, a adoção de políticas públicas e a criação de mecanismos de apoio a esse processo, viabilizando o descarte e a utilização dos resíduos de madeira gerados.

Na cidade de Itatiba, por exemplo, a prefeitura disponibiliza cinco Ecopontos instalados na cidade, onde os resíduos da construção civil podem ser descartados e posteriormente coletados por unidades de processamento parceiras.

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